fevereiro 2025
Por movimenta-educacao
Nesta sexta-feira, 7 de fevereiro, é celebrado o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas e a Movimenta destaca a importância da preservação das tradições e da inclusão dos povos originários com a obra "Crônicas da Cosmovisão Indígena: Animais e Plantas", escrita por Yaguarê Yamã e ilustrada por Mauricio Negro. A publicação, inclusive, concorre na categoria Sustentabilidade, ao Bologna Ragazzi Awards 2025, com resultado a ser divulgado durante a Feira do Livro de Bolonha, na Itália, que acontecerá de 31 de março a 3 de abril de 2025.
O livro oferece um mergulho profundo na visão de mundo desses povos, apresentando crônicas detalhadas sobre a nomenclatura, origens e significados de plantas e animais, além de evidenciar a relevância das tradições indígenas na sociedade atual. Promove, assim, conexões com a natureza, o respeito à biodiversidade, a consciência ambiental e o reconhecimento da sabedoria ancestral como caminho para o desenvolvimento sustentável. Yaguarê reforça que “a obra traz brasilidade, identidade e valorização do que nós somos enquanto povo".
A obra conta com textos informativos e descritivos acerca da cosmovisão indígena. Ao longo da leitura é possível verificar a nomenclatura que diversos povos amazônicos deram para animais e plantas, bem como para suas origens e significados - disponibilizando para os jovens um universo exuberante que, certamente, traz para os leitores uma concepção mais plural do Brasil.
Ao entrelaçar cosmovisões e descrições antropológicas, a obra revela atribuições simbólicas de diferentes povos originários para elementos da natureza. Com uma linguagem rica em vocabulário, tanto em idiomas indígenas, quanto em suas respectivas traduções para o português, o livro incentiva uma imersão cuidadosa e reflexiva nas culturas indígenas. Tal cuidado também o torna uma excelente ferramenta para apresentar e fomentar a preservação de seus saberes.
Quanto às ilustrações de Mauricio Negro, ele se utiliza de técnicas variadas que dialogam com a natureza e a cultura indígena e não só embelezam, mas também enriquecem a experiência de leitura, funcionando como fontes visuais de informação.
A obra possui ainda um glossário e um mapa que localiza os povos indígenas mencionados, tornando-a ainda mais relevante como material de pesquisa para todos os tipos de leitores. Afinal, a temática em tempos de busca por inclusão, diversidade e conhecimento aprofundado sobre as culturas originárias do Brasil é tão urgente quanto contemporânea, ou seja, mais do que ler, é preciso dialogar acerca do assunto.
“O autor, Yaguarê Yamã, é um nome de peso na literatura indígena. Nascido no Amazonas e integrante do povo Maraguá, ele alia sua experiência pessoal com uma sólida formação acadêmica, atuando como geógrafo, professor e ativista. Suas contribuições vão além da literatura: ele trabalha pela preservação cultural e pelos direitos de seus povos, o que confere ainda mais autenticidade à obra”, afirma Ana Cláudia Rocha, curadora da Linha Pedagógica da Movimenta Educação.
Sobre o autor: Yaguarê Yamã é escritor, ilustrador, professor e líder indígena. Nasceu no estado do Amazonas e é filho do povo maraguá e descendente do povo sateré-mawé. Formou-se em Geografia pela Universidade de Santo Amaro – UNISA, em São Paulo, onde lecionou no ensino público e iniciou a carreira de escritor. Seu nome significa na língua maraguá “tribo de onças pequenas”.
Sobre o ilustrador: Mauricio Negro é ilustrador, escritor, designer e pesquisador, além de gestor e consultor de projetos com temas culturais, socioambientais e identitários, sobretudo relacionados à diversidade brasileira. Já recebeu diversos prêmios, como o White Ravens, o Noma e o Jabuti. Há mais de 20 anos, coordena o Negro Design Studio na elaboração de projetos nos segmentos editorial, audiovisual e sociocultural.
Sobre o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas: A data, criada em 2008, chama a atenção para as questões ligadas aos povos originários do Brasil. A celebração relembra o dia 7 de fevereiro de 1756, quando ocorreu o falecimento do líder indígena Sepé Tiaraju durante a Guerra Guaranítica, conflito entre tribos guaranis e tropas portuguesas e espanholas, ocorrido de 1753 a 1756 na região dos Sete Povos das Missões, atual território do Rio Grande do Sul.